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Quaresma

Contemplar a Paixão

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 60, de março de 2010

A vida da Igreja tem seu centro na Páscoa, por isso não devemos percorrer com excessiva pressa o caminho da Quaresma. Não poderemos participar da Ressurreição do Senhor se não nos unirmos à sua Paixão e Morte. Para acompanharmos Cristo na sua glória, no fim da Semana Santa, é preciso que penetremos antes no seu holocausto e nos sintamos uma só coisa com Ele. Por isso, durante estes dias, acompanhemos Jesus na sua via dolorosa e na sua morte na Cruz.

E, enquanto estamos com Ele, não esqueçamos de que somos protagonistas daqueles horrores, porque o Senhor carregou os nossos pecados. Fomos resgatados do jugo do demônio e da morte eterna por um grande preço: o Sangue de Cristo. São João Crisóstomo dizia: “Leiamos constantemente a Paixão do Senhor, pois dela tiraremos grande lucro! Porque ao contemplá-Lo sarcasticamente adorado, com gestos e atos, e feito alvo de zombarias, e depois de tudo esbofeteado e submetido aos últimos tormentos, mesmo que sejas mais duro que pedra, ficarás mais mole do que a cera e expulsarás da tua alma toda a soberba”.

Muitos se converteram meditando atentamente a Paixão do Senhor ao ler o Evangelho, na Via Sacra... São Tomás de Aquino dizia: “Basta a Paixão de Cristo para servir de guia e modelo para toda a nossa vida”. Jesus Cristo crucificado deve ser o livro pelo qual aprenderemos a detestar o pecado e a inflamar-nos no amor de um Deus que nos amou ao extremo. Os padecimentos de Cristo animam-nos a fugir de tudo o que possa significar aburguesamento, apatia, preguiça. Avivam o nosso amor e afastam a tibieza.

Se alguma vez o Senhor permite doenças, dores ou contradições especialmente intensas e graves, ser-nos-á de grande ajuda e alívio considerar as dores de Cristo na sua Paixão. Nele encontraremos força para carregarmos a nossa própria cruz. Meditando a Via Sacra de Cristo colocamos a nossa situação humana à luz transformadora do duro caminho do Senhor, para que, aproximando-nos Dele, seja-nos revelado o misterioso caminho da vida que passa pela morte. Façamos o propósito de estar mais perto da Virgem Maria nestes dias que precedem a Paixão de seu Filho, e peçamo-lhe que nos ensine a contemplá-Lo nesses momentos em que tanto sofreu por nós.