Diante da tragédia do Haiti
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 59,
de fevereiro de 2010
por padre Vando Valentini, pároco
Observando as imagens da tragédia de Haiti impõe-se uma pergunta: isso é justo? A vida é justa? Se não respondermos a essa pergunta nos tornamos todos presas do desespero.
Mesmo assim, buscando uma resposta, nos damos conta de nosso limite, queremos afirmar a liberdade, a justiça, o amor... mas nos deparamos com o limite. Esse limite está inscrito em mim e não consigo superá-lo mesmo quando quero realizar o desejo infinito que carrego comigo. Parafraseando São Paulo, posso repetir: “Quem me libertará dessa natureza tão contraditória que há em mim?”. São Paulo responde: “Graças sejam dadas a nosso Senhor Jesus Cristo, porque venceu essa contradição”. Mas eu posso repetir essas palavras sem que sejam uma resposta formal?
Cada um de nós encontra-se diante desse desafio: queremos uma coisa verdadeira que nos parece inatingível. Quem é homem de verdade não pode fugir a essa pergunta.
A única resposta possível é a Cruz de Cristo. A sua morte é a resposta de Deus aos nossos limites e a toda injustiça; só a “misericórdia” consegue ler a razão de tudo o que acontece com o homem. Sem ela ficamos sem razão diante da realidade.
Mas o homem não consegue entender essa explicação, a única possível. Então acontece a coisa mais absurda: o homem pretende julgar Deus. O homem julga Deus injusto por algo que não consegue compreender. E essa é a verdadeira tragédia. É essa a tragédia que aconteceu com Jesus.
A ressurreição da vida é a morte e o destino de Cristo: a vitória sobre o mal. Quem aceita esse fato, participa da ressurreição da vida. Quem, não compreendendo, não o aceita, destrói o mundo. Essa é uma saída misteriosa, mas cada um de nós deve fazer uma escolha, a escolha entre o bem e o insistente destaque dado ao mal. Isso é justo, não se trata de uma explicação que tentamos dar, mas de algo que reconhecemos.
Para vislumbrar um pouco a verdade dessa afirmação, pensemos em São Maximiliano Kolbe dentro do campo de concentração nazista (o máximo da injustiça), oferecendo-se para poupar a vida de um pai de família, e que, cercado pelo mal, fez vencer o bem.
Por isso, diante de qualquer desastre podemos afirmar com certeza que a vida é justa porque vai misteriosamente, mas seguramente, rumo a seu destino de positividade. (Livre adaptação de um artigo de Luigi Giussani de 9/12/2003)
Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a viver assim...