A fé explicada para crianças
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 58,
de dezembro de 2009 e janeiro de 2010
Diante da realidade, a posição das crianças é sempre surpreendente: interrogam-se sobre tudo e provocam os adultos a responder às questões mais difíceis. “Para que existe o mundo?” “Jesus está mesmo na hóstia consagrada, ainda que não o vejamos?” “De onde eu vim e pra onde vou?” Na catequese, a proposta é dar as respostas, instigar as crianças a verificar o quanto são verdadeiras e estimular sempre a fazer novas perguntas sobre o porquê de tudo. É um trabalho de educação do uso da razão. Como explicou certa vez o papa Bento XVI a um grupo de crianças, é possível ver Jesus por intermédio dos que pertencem a Ele: onde está Jesus os homens mudam, vemos os efeitos na vida. Não vemos a energia, mas vemos a luz acender. Não vemos a amizade, mas sabemos que ela existe (já que experimentamos!). É dessa forma que a catequese ajuda a percorrer o caminho do uso da razão. As crianças, nesse caminho, percebem que há uma resposta para suas perguntas, uma hipótese que pode ser verificada: tudo existe porque Alguém quis que existisse. Nós existimos pelo amor de Deus que se fez homem e hoje pode ser encontrado por intermédio de Sua Igreja. A fé não nasce do acaso. Nasce do encontro com pessoas que pertencem a Cristo e Sua Igreja. A fé é observada como um ato de confiança, baseia-se numa história que vem antes de nós, mas chegou até nós porque começou há muito tempo, passando pelos apóstolos, pelos santos, pelo povo cristão, pelos bisavós, avós, pai e mãe. Até que um dia me alcançou. O cristianismo é uma experiência cheia de beleza e novidade que acontece na vida dos cristãos, agora. A fé é algo vivo, e não um discurso. Não se pode responder às interrogações mais profundas das crianças a partir da leitura de um livro, por exemplo. É necessária a experiência. Porque a criança não se deixa enganar, ela quer saber o quanto aquilo é significativo para o adulto. Se a cada questão o adulto não se faz seriamente a questão “o que isto tem a ver comigo?”; se o adulto não verifica se “isto de fato é importante para a sua vida”, se nada disso é relevante, como a criança que está perguntando pode “confiar” nas respostas? A catequese é, portanto, uma proposta de novidade para todos os que cercam a criança, tanto as catequistas quanto a família e o padre.