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Vida da Igreja

Santa Teresinha: padroeira das missões

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 56, de outubro de 2009

Muitos cristãos ainda têm a distorcida ideia de santidade ligada apenas ao martírio, às grandes obras, aos tratados de teologia, à sisudez e à severidade. Se muitos santos realmente passaram essa imagem (quase sempre muito mais elaborada pelos outros do que vivida pelo santo), Santa Teresinha do Menino Jesus muda o protocolo.

Talvez a primeira coisa que nos atraia profundamente nessa pequena carmelita francesa seja sua juventude, seu ar de menina, seu coração completamente de criança. Mas não foi como criança que ela decidiu, com toda a determinação, aos 15 anos, enfrentar todos os impedimentos e entrar no Carmelo. Escolheu a melhor parte e essa não lhe foi tirada, apenas cumulada de graças sobre graças.

Aliás, Teresinha tinha uma viva consciência da ação de Deus em sua vida. Certa vez, tendo recebido um feixe de espigas de trigo, pegou numa delas que estava muito carregada, e comentou: “Esta espiga é a imagem da minha alma. Deus carregou-a de graças para mim e para muitos outros. Quem me dera viver sempre curvada ao peso da abundância dos bens celestiais, reconhecendo que tudo vem do alto”.

Entrando no Carmelo, Teresa não perdeu tempo e deu vazão a seu maior objetivo. Ela mesma escreveu, dizendo: “O desejo constante de toda a minha vida tem sido fazer-me santa; mas, sempre que me pus em paralelo com os santos, pude facilmente verificar que há entre eles e mim a mesma diferença que entre uma montanha e um grão de areia, que todos pisam sem darem sequer pela sua existência. Com isso não desanimei, mas fiz comigo esta reflexão: não vai Deus inspirar desejos impossíveis de realizar; apesar, pois, da minha pequenez, nada me impede de aspirar à santidade. Não posso progredir? Terei paciência para me suportar como sou, com as minhas imperfeições sem conta, mas hei de buscar meio de chegar ao Céu por algum caminho bem direto, bem curto, por uma sendazinha inteiramente nova”. E ela conseguiu o que queria e realmente “inventou” um caminho novo, o menor, o mais fácil, aquele que Jesus recomendara tão claramente: “Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18,3).

A tarefa, que pode parecer ingênua, não o é. Tanto que “o caminho da infância espiritual” alargou-lhe o coração e deu-lhe o desejo missionário, a consciência da necessidade de rezar pelos missionários, pelo clero. Como criança, Teresa entende de fragilidade, de fraqueza, de dependência, realidades que os sérios adultos querem eliminar, esquecer. É reconhecendo a fragilidade que abrimos espaço para a presença de Deus. E Teresinha tinha absoluta certeza disso.

Teresinha ensina a humildade, a paciência, a constância, a fidelidade dos pequenos gestos, a suportar os outros com amor, vendo na fragilidade do próximo uma ocasião de serviço, de uma palavra de conforto, de bondade. Teresinha ensina a ver longe, a viver a dimensão missionária de nosso Batismo, tanto que foi logo proclamada padroeira das Missões.

Que Teresinha do Menino Jesus nos ensine a ser crianças do Reino. Que sejamos bons seguidores desse seu caminho espiritual e que dos céus ela nos mande uma chuva de rosas.