Caritas in veritate
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 54,
de agosto de 2009
por padre Vando Valentini, pároco
Alguns trechos da encíclica social de Bento XVI
Caridade sem verdade: "Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade" (nº 3).
Caridade sem Deus: "Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social, mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo" (nº 4).
A Igreja não faz política: "A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende 'de modo algum imiscuir-se na política dos Estados'; mas tem uma missão a serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, em favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação. [...] Para a Igreja, essa missão a serviço da verdade é irrenunciável" (nº 9).
A lição da crise: "A crise nos obriga a projetar de novo o nosso caminho, a impor-nos regras novas e encontrar novas formas de engajamento, a apostar em experiências positivas e rejeitar as negativas. Assim, a crise torna-se ocasião de discernimento e elaboração de novo planejamento" (nº 21).
O mercado: "Sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função econômica. E, hoje, foi precisamente essa confiança que veio a faltar; e a perda da confiança é uma perda grave" (nº 35). "A sociedade não tem de se proteger do mercado, como se o desenvolvimento deste implicasse ipso facto a morte das relações autenticamente humanas. É verdade que o mercado pode ser orientado de modo negativo, não porque isso esteja na sua natureza, mas porque uma certa ideologia pode dirigi-lo em tal sentido" (nº 36).
Os pobres, uma riqueza: "Os pobres não devem ser considerados um 'fardo', mas um recurso, mesmo do ponto de vista estritamente econômico" (nº 35).
Ética e economia: "A economia tem necessidade da ética para seu correto funcionamento; não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa" (nº 45).
Solidariedade e educação: "Uma solidariedade mais ampla em nível internacional exprime-se, antes de mais nada, continuando a promover, mesmo em condições de crise econômica, maior acesso à educação, já que esta é condição essencial para a eficácia da própria cooperação internacional" (nº 61).
O relativismo empobrece: "Para educar, é preciso saber quem é a pessoa humana, conhecer sua natureza. A progressiva difusão de uma visão relativista desta impõe sérios problemas à educação, sobretudo à educação moral, prejudicando sua extensão em nível universal. Cedendo a tal relativismo, ficam todos mais pobres" (nº 61).
Neste momento de crise e de confusão, o Papa nos aponta o rumo.