Ano Santo Paulino
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 45,
de setembro de 2008
Neste mês de setembro, consagrado à Bíblia, a Igreja nos convida a rezar e refletir sobre o sentido da Palavra de Deus em nossa vida. A leitura da Bíblia favorece um crescimento espiritual e religioso e nos transforma em discípulos atentos aos sinais que Deus nos revela. “A Palavra de Deus é lâmpada para nossos pés e luz para nossos caminhos”, lemos no Salmo 119. Isso quer dizer que a Palavra de Deus nos ensina, aconselha, encoraja e dá esperança. A força da Palavra nos leva à conversão, tornando-nos capazes de anunciar ao mundo que Jesus está vivo no meio de nós e que só Ele tem palavras de vida eterna. Que melhor exemplo de conversão poderíamos ter que o apóstolo São Paulo? Ele mesmo narra a história que mudou radicalmente sua vida. Aquele forte encontro pessoal com Jesus Cristo, no caminho de Damasco, abriu seu olhos à verdade do Evangelho e seus ouvidos à voz de Cristo. Para destacar a figura desse apóstolo que marcou a vida da Igreja com seu exemplo de conversão e amor a Jesus Cristo e sua ação missionária, o papa Bento XVI convocou a Igreja a comemorar os dois mil anos do nascimento de São Paulo. O Ano Santo Paulino será cheio de programações especiais, nas quais teremos a oportunidade de conhecer melhor esse apóstolo e de nos deixar contagiar por seu testemunho.
Neste boletim e nos próximos publicaremos a homilia do papa Bento XVI por ocasião da abertura do Ano Paulino, no dia 28 de junho de 2008.
“Santidade e Delegados fraternos,
Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!
Estamos reunidos junto do túmulo de São Paulo, que nasceu, há dois mil anos, em Tarso da Cilícia, na atual Turquia. Quem era esse Paulo? No templo de Jerusalém, diante da multidão agitada que queria matá-lo, ele apresenta-se a si mesmo com estas palavras: ‘Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade [Jerusalém], instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei de nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus...’ (At 22,3). No final do seu caminho, dirá de si: ‘Fui constituído [...] mestre dos gentios na fé e na verdade’ (1Tm 2,7; 2Tm 1,11). Mestre dos gentios, apóstolo e propagador de Jesus Cristo, assim ele se caracteriza a si mesmo num olhar retrospectivo ao percurso de sua vida. Mas com isso o olhar não se dirige só ao passado. ‘Mestre dos gentios’: essa palavra abre-se para o futuro, para todos os povos e todas as gerações. Paulo não é para nós uma figura do passado, que recordamos com veneração. Ele é também o nosso mestre, apóstolo e propagador de Jesus Cristo.
Estamos, portanto, reunidos não para refletir sobre uma história do passado, irrevogavelmente superada. Paulo quer falar conosco hoje. Por isso quis proclamar este especial ‘Ano Paulino’: para o ouvir e para aprender agora dele, como nosso mestre, ‘a fé e a verdade’, nas quais estão radicadas as razões da unidade entre os discípulos de Cristo. [...] Estamos, portanto, aqui reunidos para nos interrogar sobre o grande Apóstolo dos gentios. Não perguntamos apenas: quem era Paulo? Perguntamos sobretudo: quem é Paulo? O que me diz? Neste momento, no início do ‘Ano Paulino’ que estamos a inaugurar, gostaria de escolher entre o rico testemunho do Novo Testamento três textos, nos quais aparece a fisionomia interior, a especificidade de seu caráter. Na Carta aos Gálatas, ele doou-nos uma profissão de fé muito pessoal, na qual abre seu coração diante dos leitores de todos os tempos e revela qual é o estímulo mais íntimo de sua vida. ‘Vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim’ (Gl 2,20). Tudo o que Paulo faz parte desse centro. Sua fé é a experiência de ser amado por Jesus de modo muito pessoal; é a consciência do fato de que Cristo enfrentou a morte não por qualquer coisa anônima, mas por amor a ele, a Paulo, e de que, como Ressuscitado, ainda o ama, ou seja, de que Cristo se entregou por ele. Sua fé é ser atingido pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o perturba profundamente e o transforma. Sua fé não é uma teoria, uma opinião sobre Deus e sobre o mundo. Sua fé é o impacto do amor de Deus sobre seu coração. E, assim, essa mesma fé é amor por Jesus Cristo.”