A experiência da
presença do Senhor
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 45,
de setembro de 2008
por padre Vando Valentini, pároco
Nos últimos trinta dias fiquei na Itália para acompanhar minha família no momento dramático da morte de meu querido pai (com 87 anos de idade). Cheguei a tempo para rezar a missa de “corpo presente” e acompanhar o corpo até o cemitério. Fiquei muito emocionado, relembrando toda a minha história, e muito agradecido pelo dom da vida de meu pai. Passaram-se poucos dias, em que eu e meu irmão fomos arrumando as coisas de meu pai e, então, adoeceu gravemente a mãe de minha cunhada, que também morava com eles e tinha 88 anos. Após quinze dias, ela também veio a falecer. Pude, assim, acompanhar a dor de minha cunhada e de meu irmão. Entre nós ficava um grande vazio.
Nesses dias a morte visitou também um amigo meu de 65 anos e o pai de outro amigo, com 99 anos. Acompanhei tudo de perto, como não me fora possível com meu pai.
Nessa circunstância toda uma coisa ficou muito clara: a solidariedade que nasceu entre todos os amigos do Movimento de Comunhão e Libertação. Nas vigílias de oração, nos velórios, participaram mais de cem pessoas. Assim, ficou claro que Deus permitiu tudo isso para que nós nos puséssemos diante d'Ele de maneira mais direta. Somos todos cristãos, mas, às vezes, o que predomina em nossas vidas não é essa nossa fé. Predominam as circunstâncias, ou os temperamentos de cada um, e assim o que vem à tona é a divisão e o individualismo. Reconhecer Cristo presente entre nós gera uma unidade que nos surpreende: a beleza de sua presença afasta todas as nossas diferenças. Mesmo diante de quatro mortes, Cristo nos visitou e isso nos fez participar de Sua ressurreição.
Uma outra coisa bonita aconteceu: o Marcos e a Cleuza Zerbini, nossos amigos, líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, quiseram se casar na Itália, na cidade de Assis, pois a presença de São Francisco foi determinante no relacionamento deles. Chegaram do Brasil alguns dias antes do casamento e também nessa ocasião ficou claro o milagre da presença de Cristo. A comunidade de Assis e vizinhança preparou uma celebração e uma festa impressionantes. Um montão de gente, que nem os conhecia, se mobilizou e lhes ofereceu desde as flores até o almoço no “Grand'Hotel”. A Cleuza, emocionada e chorando, cheia de gratidão, dizia: “Somente a presença de Cristo podia fazer este milagre”.
Enfim, esta minha viagem para a Itália, que nasceu num contexto tão dramático, foi marcada pelo milagre da presença de Cristo, e isso tornou tudo mais verdadeiro e humanamente muito significativo. Muito obrigado, Senhor.