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março/2008 Editorial

Tarefa urgente da educação

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 40, de março de 2008
 
por padre Vando Valentini, pároco

Recentemente, o papa Bento XVI escreveu uma carta sobre a educação que quero retomar, pois tem muito a ver conosco:

“Todos nos preocupamos profundamente com o bem das pessoas que amamos, em particular de nossas crianças, adolescentes e jovens. [...] Educar nunca foi fácil, [...] com freqëncia nossos esforços [...] fracassam. [...] Temos de pôr a culpa nos adultos? Certamente é forte a tentação de renunciar. [...] Na verdade, não estão em jogo somente as responsabilidades pessoais, [...] existem [...] também um ambiente difundido, uma mentalidade e uma forma de cultura que tornam difícil [...] transmitir, de uma geração a outra, algo válido e certo [...] sobre os quais se pode construir a própria vida.

[...] Quero dizer algo muito simples: não tenhais medo! Todas estas dificuldades, de fato, não são insuperáveis. São mais, por assim dizer, o outro lado da moeda desse dom sério e precioso que é nossa liberdade, com a responsabilidade que justamente implica. [...] Quem crê em Jesus Cristo tem também um ulterior e mais intenso motivo para não ter medo: sabe que Deus não nos abandona, que seu amor nos alcança onde estamos e como estamos, com nossas misérias e fraquezas, para oferecer-nos uma nova possibilidade de bem.

[...] Alguns requisitos comuns para uma autêntica educação: 1) antes de mais nada, é necessária a proximidade e a confiança que nascem do amor: penso nessa primeira e fundamental experiência do amor que as crianças fazem [...] com seus pais. Mas todo autêntico educador sabe que para educar é preciso dar algo de si mesmo e que só assim pode ajudar seus alunos a superar os egoísmos para poderem, por sua vez, ser capazes do autêntico amor [...] 2) O sofrimento da verdade também faz parte de nossa vida. Por esse motivo, ao tentar proteger os jovens de toda dificuldade e experiência de dor, corremos o risco de criar, apesar de nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de amar corresponde, de fato, à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos [...]. 3) Mas o ponto que talvez seja o mais delicado na obra educativa é encontrar o equilíbrio adequado entre liberdade e disciplina. [...] A relação educativa é, antes de mais nada, o encontro entre duas liberdades, e a educação conseguida é uma formação para o uso correto da liberdade. Na medida em que a criança vai crescendo, ela se converte em um adolescente e depois em um jovem; temos de aceitar, portanto, o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos para ajudar os jovens a corrigir idéias ou decisões equivocadas.

[...] O educador é, portanto, uma testemunha da verdade e do bem: certamente ele também é frágil e pode ter falhas, mas procurará estar sempre em sintonia com sua missão. [...] Não posso terminar esta carta sem um caloroso convite a pôr nossa esperança em Deus. Só Ele é a esperança que resiste a todas as decepções” (texto integral em Carta do papa Bento XVI à diocese e à cidade de Roma sobre a tarefa urgente da formação das novas gerações).