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dezembro/2007 Editorial

Deus se fez homem

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 38, de dezembro/07 e janeiro/08
 
por padre Vando Valentini, pároco

Estamos no Tempo do Advento: tempo em que somos convidados a renovar a nossa espera. Mas esperamos o quê? Esperamos o Natal, que tradicionalmente é tempo de festa e de muita alegria. Por que tudo isso?

Facilmente o Natal é reduzido a festa do amor e da ternura, mas não é esse o ponto essencial. O ponto chave para compreender o sentido do Natal é que DEUS SE FAZ HOMEM.

Por que precisamos de uma intervenção de Deus? Porque sozinhos não damos conta de alcançar a nossa felicidade. Mas o que é a felicidade? Para a nossa cultura aburguesada, o “sonho da felicidade” coincide com um tempo em que se consegue eliminar o sacrifício; por isso é um tempo em que não se trabalha e se procura fazer coisas que agradam. O resultado disso é que o máximo de felicidade consiste em buscar formas de se divertir, passear, ir ao cinema, ao teatro, ir para a praia... Mas, seguindo esse caminho, acabamos identificando a felicidade com a forma cotidiana que nos parece menos cansativa: ficar diante de uma televisão sem fazer nada e sem que ninguém nos incomode. Se esse for nosso ideal de vida fica claro que se trata de um absurdo.

Precisamos redescobrir a lei da existência humana, o que nos traz a felicidade. O Evangelho nos relata que a fonte da felicidade é doar-se ao outro, é o Amor, e esse é o outro nome de Deus. Mas não é suficiente saber disso e apenas o fato de saber não adianta nada. Quem nos salvará desta vida sem gosto e sem entusiasmo?

Graças sejam dadas a Deus, pois em Cristo Jesus Ele se fez homem e como homem veio ao nosso encontro, entrou na vida cotidiana de todos os homens, se torna companheiro do caminho conosco. Este é o conteúdo do mistério da Encarnação: Ele se fez homem e nos amou. Ele continua presente entre nós e nos ama a ponto de morrer por nós. Esta experiência de sermos amados nos resgata, nos cativa, nos fascina e nos lança na experiência do amor. Pois a verdadeira felicidade é fruto do amor.

O Natal é o primeiro passo da manifestação do amor de Cristo por nós. O amor que não foge do sacrifício. De fato, quem ama não tem medo do sacrifício, pois a beleza compensa qualquer sacrifício. É só olhar para Nossa Senhora diante do Anúncio do Anjo, ela não mediu o sacrifício. Maria abriu sua vida para aquilo que Deus lhe pedira. Tinha humildade suficiente para perceber que não podia ser feliz sozinha. Precisava obedecer, fazer o que lhe era pedido. Sabemos o quanto foi duro e difícil obedecer, mas não foi impossível. E assim acompanhou seu Filho até a Ressurreição.

Que o Senhor nos doe a graça da humildade para sentir viva em nós a presença de Deus, e que a lembrança do Natal renove hoje a nossa esperança.