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Setembro

Você lê a Bíblia?

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 35, de setembro de 2007

Sabemos que Deus não fez depender a nossa salvação das nossas possibilidade de ler ou ter uma Bíblia. Se a leitura da Bíblia fosse o único requisito necessário para ir para o céu, os analfabetos e as pessoas que viveram antes da invenção da imprensa estariam num grave apuro. Jesus não ordenou aos apóstolos: “Ide e escrevei tudo o que vos disse para que todos o possam ler”. O que disse foi: “Ide e pregai! Ide e ensinai!” As suas verdades iam difundir-se, principalmente, por meio da palavra falada. Os ensinamentos orais dos Apóstodos eram palavras de Deus tanto quanto os ensinamentos que encontramos escritos no Novo Testamento. Esses ensinamentos foram transmitidos de geração em geração por meio dos papas e bispos da Igreja Católica. A palavra latina traditio designa algo que se entrega, e, por isso, os ensinamentos orais que os apóstolos entregaram para serem transmitidos chamam-se Tradição da Igreja. A tradição trasmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito da verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação. A Sagrada Escritura, a Bíblia, é a Palavra de Deus redigida sob a inspiração do Espírito Santo e interpretada pela ininterrupta Tradição da Igreja. Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a decidir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros santos. Essa lista integral é chamada “Cânon” das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 escritos e, para no Novo, 27. Essa é a Bíblia. Contém setenta e três livros, alguns dos quais são omitidos em certas edições protestantes. Poderíamos dizer que Deus teve muito trabalho para nos dar a Bíblia e, naturalmente, espera que a leiamos. O fato de a Bíblia não ser o único caminho para nossa salvação não quer dizer que não a devamos incluir na nossa vida espiritual. A Bíblia não é tudo, mas é um grande instrumento que nenhum católico, interessado no seu progresso espiritual, pode permitir-se ignorar. Dizemos e Cremos que a essência da vida cristã está no esforço por reproduzirmos em nós a imagem de Cristo. O nosso fim é fazermo-nos semelhantes a Cristo para vivermos uma vida coerente, que faça sentido. Isso significa pensar como Cristo pensa, falar e agir como Cristo falaria e agiria. Mas não podemos moldar-nos segundo a imagem de Cristo se não o conhecemos bem. Para conhecê-lo, o melhor caminho é o Evangelho. Melhor que a imagem de segunda mão que possamos extrair de livros de espiritualidade, é a imagem que d'Ele nos dão os quatro evangelistas. Por isso é imprescindível que o cristão leia regularmente a Bíblia, numa atitude de reverência e oração que a Palavra de Deus exige. Se ainda não o fizemos, comecemos hoje.