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Festa

Coração Imaculado

Trechos da carta de Bento XVI sobre o culto ao Coração de Jesus, em preparação para a festa da nossa Padroeira

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 33, de junho/julho de 2007

Na promoção do culto ao Coração de Jesus, a encíclica Haurientis aquas exortava os fiéis a se abrirem ao mistério de Deus e do seu amor, deixando-se transformar por ele. O peito trespassado do Redentor: devemos beber dessa fonte para alcançar o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo e experimentar mais a fundo o seu amor. Assim, poderemos compreender melhor o que significa conhecer o amor de Deus em Jesus Cristo, experimentá-lo tendo o olhar fixo nele e até viver totalmente da experiência do seu amor, para depois poder testemunhá-lo aos outros.

Conhecer o amor de Deus em Jesus Cristo

Nós conhecemos e acreditamos no amor que Deus teu, reafirmando que o encontro com uma Pessoa (Jesus Cristo) é a origem do ser cristãos. É sobretudo na contemplação do sofrimento e morte de Cristo que podemos reconhecer o amor sem limites que Deus tem por nós. Com razão, a ferida do peito e a dos cravos têm sido para incontáveis almas os sinais de um amor que alimentou a vida, sempre mais incisivamente. Reconhecer o amor de Deus no Crucificado tornou-se para essas almas uma experiência interior que as fez confessar, juntamente com Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28), permitindo-lhes alcançar uma fé mais profunda no acolhimento sem reservas do amor de Deus.

Experimentar o amor de Deus dirigindo o olhar ao Coração de Jesus Cristo

O significado mais profundo desse culto ao amor que Deus nos tem manifesta-se somente quando se considera mais atentamente a sua contribuição não apenas ao conhecimento, mas também e sobretudo à experiência pessoal de tal amor na entrega confiante ao seu serviço. Importa também sublinhar que um autêntico conhecimento do amor de Deus somente é possível num clima de oração humilde e de generosa disponibilidade. Partindo dessa atitude, o olhar dirigido ao peito do Senhor Jesus trespassado pela lança transforma-se em silenciosa adoração. O olhar para o peito trespassado do Senhor, do qual jorra “sangue e água” (cf. Jo 19,37), ajuda-nos a reconhecer a multidão de dons de graça que daí provêm e abre-nos a todas as outras formas de devoção cristã que estão incluídas no culto ao Coração de Jesus. O culto do amor de Deus deve ajudar-nos a recordar incessantemente que ele tomou sobre si esse sofrimento voluntariamente “por nós”, “por mim”. Deus, que derramou o seu amor “nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5), convida-nos incansavelmente a acolher o seu amor. O convite a entregar-se totalmente ao amor salvífico de Cristo e a consagrar-se a ele tem, portanto, como primeira finalidade a relação com Deus.

Viver e testemunhar o amor experimentado

Quem aceita o amor de Deus interiormente é por ele configurado. O amor de Deus experimentado é vivido pela pessoa humana como um “chamado” ao qual ela deve responder. Torna-nos capazes de nos confiarmos ao seu amor salvífico e misericordioso e, ao mesmo tempo, fortalece-nos no desejo de participar da sua obra de salvação, como seus instrumentos. A resposta ao mandamento do amor torna-se possível somente por meio da experiência desse amor que já nos foi dado antes por Deus.

Maria correspondeu plenamente a esse amor por meio do seu “fiat”. Desde a Encarnação até a crudelíssima morte de Jesus na Cruz, seu coração esteve intimamente unido ao coração de seu Filho num amor perfeito e eterno, para maior glória de Deus. Por isso, a Igreja celebra as festas dos dois corações um dia após o outro. E a nossa paróquia, tendo o Coração Imaculado de Maria como Padroeiro, está em festa e pede a Nossa Senhora que nos conceda a graça de poder corresponder ao amor de Deus assim como ela.