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Bento XVI

O diálogo entre as religiões:
sem ambigüidade

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 28, de dezembro de 2006 e janeiro de 2007
 
por padre Milton Schreiber

As palavras do Papa na Universidade Gregoriana

“[...] Hoje não se pode deixar de ter em consideração o confronto com a cultura secular, que em muitas partes do mundo tende cada vez mais não só à negação de qualquer sinal da presença de Deus na vida da sociedade e do indivíduo, mas por vários meios desorienta e ofusca a reta consciência do homem e procura corroer a sua capacidade de se pôr à escuta de Deus. Nesse contexto não se pode prescindir da relação com as outras religiões, que se revela construtiva e evita toda e qualquer forma de ambigüidade que de algum modo enfraqueça o conteúdo essencial da fé cristã em Cristo, único Salvador de todos os homens (At 4,12), e na Igreja, sacramento necessário de salvação para toda a humanidade [...]. Precisamente porque estas ciências se referem ao homem não podem prescindir da referência a Deus. De fato, o homem, quer na sua interioridade quer na sua exterioridade, não pode ser plenamente compreendido se não o reconhecermos aberto à transcendência. [...] Privado da sua referência a Deus, o homem não pode responder às perguntas fundamentais que agitam e agitarão sempre o seu coração em relação ao fim e, por conseguinte, ao sentido pleno da sua existência. Conseqüentemente, nem sequer é possível inserir na sociedade aqueles valores éticos, os únicos que podem garantir uma convivência digna do homem. O destino do homem sem a sua referência a Deus só pode ser a desolação da angústia que conduz ao desespero. Só em referência ao Deus-Amor, que se revelou em Jesus Cristo, o homem pode encontrar o sentido da sua existência e viver na esperança, mesmo se a experiência dos males fere a sua existência pessoal e a sociedade na qual vive. A esperança faz com que o homem não se feche num niilismo paralisante e estéril, mas se abra ao compromisso generoso [...].”