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Eucaristia

Encerramento do Ano Eucarístico

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 16, de outubro de 2005
 
por padre Milton Aguilar Schreiber
(frei Bernardino)

Todo cristão professa sua fé no fato de que Deus é o Criador de todas as coisas. Todavia, essa fé será ainda pouca se não se professar e acolher a razão pela qual Deus quis criar o mundo e o homem.

De fato, somos convidados — é a nossa vocação comum — a aceitar o que Deus nos propõe como uma Aliança de Vida. Pois seu desejo, sua intenção ao criar o homem, foi de chamá-lo para uma comunidade de vida numa reciprocidade de amor e de doação. Deus se propõe o desafio de conduzir a pessoa humana, situada no afastamento e degradação do pecado e do desconhecimento de si e do próprio Criador, até a mais profunda e total intimidade com o pensamento, o querer e a própria personalidade divina. Para isso o Filho de Deus, ao vir a este mundo conduzir uma existência autenticamente humana, recebe de nós um corpo humano, mas, ao deixar este mundo presente, confia aos discípulos o seu corpo, numa atitude que torna perene e acessível a todos a doação realizada historicamente no momento da morte na cruz.

A Aliança entre Deus e a humanidade faz-se em Jesus, uma pessoa viva, assim que, ao celebrarmos a missa e recebermos a comunhão eucarística, estamos renovando a nossa aliança com Deus, tornamos sempre mais realidade nossa a aliança que vem de Deus. Não teria sentido — seria uma profanação — recebermos o corpo de Cristo e ao mesmo tempo não querermos respeitar as cláusulas da aliança que Deus nos propõe. Seria como se casar sem querer viver o que é próprio do matrimônio.

A atitude pela qual aceitamos como um bem o que vem de Deus é o que denominamos fé. Exemplo máximo da fé foi o patriarca Abraão, que acreditou na promessa de uma ampla descendência quando, já idoso, tinha por esposa uma mulher estéril, além de idosa. Ele acreditou contra todas as evidências, esperou no impossível, por causa da palavra do Senhor. Assim também o apóstolo Pedro, pescador experiente, aceitou lançar a rede ao mar por indicação de Jesus, que não era pescador, mesmo após uma noite inteira de tentativas frustradas.

O cristão reconhece, em virtude da palavra de Jesus, palavra que revela um amor inaudito, que o pão eucarístico é realmente o próprio Cristo presente em atitude de doação. Fé na presença real de Cristo sob a aparência do pão, fé no amor voltado a suscitar uma correspondência, fé na proposta de vida da qual a comunhão eucarística constitui a aceitação. Por isso, a primeira parte da missa é a liturgia da Palavra, pois nela conhecemos melhor, meditamos, oramos e apreciamos mais concretamente as cláusulas da Aliança contidas na Palavra escrita, para que assim celebremos a nossa adesão, ao recebermos a Palavra feita corpo. Aliás, qualquer acordo, vantajoso para ambas as partes contraentes, é concluído com um brinde ou mesmo uma refeição.

Dessa maneira, a intenção de Deus ao criar o homem atinge seu objetivo primeiro, e nos dispõe para o objetivo último, quando o Cristo nos dará um corpo glorioso como o seu. De fato, não pode perecer na morte aquele que foi alimentado com o corpo ressuscitado de Jesus exatamente para se apropriar de tudo aquilo que motivou o Cristo a viver entre nós.