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outubro/2005 Editorial

O Papa e os jovens:
a Jornada Mundial da Juventude

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 16, de outubro de 2005
 
por padre Vando Valentini, pároco

“Dizem que Deus não existe, mas não é assim. Pautem sua vida a partir de Deus e depois vão me contar se a felicidade é possível”

Assim poderíamos resumir as palavras pronunciadas por Bento XVI diante de mais de um milhão de jovens em Colônia, na Alemanha, no mês de agosto. A pergunta que fica é: por que tantos jovens foram se encontrar com o Papa? Aparentemente, há uma distância muito grande entre o que diz a Igreja e o mundo dos jovens de hoje. Mas a realidade nos mostra outra coisa. O que está acontecendo? O Papa é uma personalidade fascinante, um homem maduro e que vive os ideais em que acredita. Não apenas fala de Cristo, mas dedicou toda a sua vida a Ele. E mais, ele age, fala, acolhe, olha como Cristo. Não é uma teoria, mas uma experiência. Com o Papa os jovens viveram uma belíssima experiência de unidade. De fato, ninguém se move só ouvindo um discurso sobre os valores humanos. Um exemplo: o homem não sai de sua passividade quando alguém lhe fala da beleza do amor. O homem se move quando se apaixona, quando experimenta o fato de amar e ser amado. Somente uma presença concreta fascina e atrai o jovem mostrando como o grande ideal é possível e lindo. O que tira o jovem de sua passividade não é um chamado ético, uma teoria, ou um livro, mas uma presença humana verdadeira. Mesmo na nossa cultura, que mata o coração do homem privilegiando o desejo auto-destrutivo de querer afirmar a si próprio contra tudo e contra todos, uma presença verdadeira é capaz de cativar o que sobra desse coração, o arrasta para fora de si e o torna capaz de seguir e amar o outro. O Mistério nos faz apaixonar por outrem e é fácil se deixar levar e ceder a essa preferência. Uma preferência que nos abre ao amor e que nos introduz a uma intensidade de vida que parece impossível. Era isso que acontecia quando as pessoas se encontravam com Jesus de Nazaré, dois mil anos atrás. É o que acontece ainda hoje. Os jovens que estiveram na Alemanha testemunham isso. E é por isso que somos cristãos.