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Vocação

Tudo por amor

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 14, de agosto de 2005
 
por Rosineide

A palavra vocação significa chamar. Deus nos chama à vida, por isso somos desejo de Deus, e como Deus é Amor, somos gerados no Amor e, portanto, destinados a amar e a nos realizarmos neste Amor, chamados a participar de seu projeto de amor e salvação, vivido de maneira específica. Mas como Ele me chama a viver a minha vocação?

Sou Rosineide, aluna do curso de Pedagogia da PUC. Nasci em Ribeirão Pires. Sou descendente de mineiros, de uma família simples. Meu pai faleceu quando eu tinha seis anos. Com minha mãe e meus dois irmãos, vivi a experiência da providência divina, que transforma em fé e esperança cada dor e sofrimento.

Como todos os jovens, que buscam a realização de seus sonhos, eu também sempre tive no coração o desejo da liberdade e da alegria, mas muitas vezes os nossos desejos parecem não encontrar, no momento, um caminho para se realizarem.

Os questionamentos sobre o sentido da vida me acompanhavam e eu percebia que no fazer ou ter algo não encontrava um preenchimento do vazio inquietante que sentia. Foi então que, numa missa de Natal, encontrei-me com esta palavra do Evangelho: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14a).

Tocou-me profundamente a encarnação de Cristo em nossa humanidade. Um Deus que se faz homem para simplesmente viver o Amor ao outro, gratuitamente. E, naquele momento, Ele me dizia que a sua encarnação era também para mim. Percebi em minha história Alguém que percorria o meu caminho para me fazer feliz.

Após esse encontro, sentia uma vida nova dentro de mim: conduzia-me, no cotidiano, o desejo da oferta, um grande amor que nos faz livres para amar o outro sem fronteiras e pretensões. Assim, descobri o Cristo encarnado no outro, isto é, o Amor do Crucificado e Ressuscitado habitando em cada pessoa, uma presença que quer crescer e preencher cada realidade.

Pertencia a uma paróquia Scalabriana, cuja espiritualidade procula ler o fenômeno migratório com os olhos da fé, como símbolo e caminho em direção a um novo Pentecostes: formar de todos os povos uma única família humana. Conheci a comunidade das Missionárias Seculares Scalabrianas. Um estilo de vida diferente. Como leigas consagradas no mundo da migração, vivem o cotidiano, as situações ordinárias, nos ambientes mais diferentes, como oportunidade de ser sal e fermento que, misturados à farinha, desaparecem para que toda a massa fermente.

Sentia que Deus me chamava a partir. Nada poderia separar-me do amor de Cristo e isso era motivo de esperança para mim. Deixei tudo aos meus dezenove anos e parti, com a única certeza de que o amor de Cristo seria o meu futuro.

Há seis anos, pertenço à comunidade das Missionárias Seculares Scalabrianas. Fui enviada, após professas os primeiros votos de pobreza, castidade e obediência, a viver aqui, na nossa realidade brasileira, migrante com os migrantes, contribuindo para a formação cristã dos jovens. E a cada dia experimento a alegria de caminhar aberta aos Seu projeto de amor.