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IMACULADO
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Junho

Igreja em festa

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 13, de junho de 2005
 
por padre Milton Aguilar Schreiber
(frei Bernardino)

As festas do
Coração de Jesus (3 de junho)
e do Coração de Maria (4 de junho)

Começamos o mês de junho com duas importantes celebrações, especialmente para a nossa paróquia, que tem como padroeira precisamente o Coração Imaculado de Maria.

Essas duas festividades vêm após outras celebradas durante o tempo da Páscoa e em seguida. Durante a Páscoa, celebramos as realidades fundantes da nossa fé: por um lado, a paixão, morte e ressurreição de Jesus; em seguida, o dom do Espírito Santo, fruto do sacrifício de Cristo. Finalmente, a festa da Eucaristia, por meio da qual renovamos continuamente nossa aceitação do dom que Deus Pai faz de si mediante o dom de seu Filho e do Espírito Santo.

Na festa do Coração de Jesus, celebramos a razão que tornou possível tudo isso, o motivo que levou Deus a se interessar assim por nós: esse motivo é simplesmente o amor, a vontade que Deus tem de ser Deus, isto é, de comunicar-se e doar-se gratuitamente para que possamos participar de sua felicidade. Ora, esse amor divino tem sua expressão humana em Jesus, o Filho que se fez homem para viver na humanidade e como homem os sentimentos e propósitos divinos. Mas não seria suficiente falar do amor pessoal de Jesus? Por que acentuar, não só em palavras, mas também nas imagens sagradas, o seu coração, e ainda por cima exposto? E por que associá-lo ao coração de Maria?

Na verdade, o coração é um símbolo, e por isso extremamente expressivo. De uma maneira mais imediata, ele representa o amor que se doa e se sacrifica, mesmo não sendo devidamente correspondido. Deus não é minimamente movido por interesse, de forma alguma pretende nos usar para os seus fins, pois ele é onipotente e já possui tudo, e por isso ele só tem a ganhar se doando.

Na linguagem bíblica e em geral na mais antiga o coração simboliza e representa a pessoa na sua autenticidade, no seu eu mais central, verdadeiro e profundo, para além das aparências externas, do comportamento exterior, das incoerências reais ou aparentes. Deus, em todas as obras que festejamos ao longo do ano, está querendo se doar a si mesmo inteiramente, não algo de si, não algo feito por ele e distinto dele.

O coração exposto é o coração que se doa totalmente, sem nada reservar para si.

A devoção aos corações de Jesus e Maria quer nos inspirar uma religiosidade cujo centro dinâmico não se situa no dever, nas obrigações, nas tradições, nas práticas de piedade, no maravilhoso, na satisfação de necessidades pessoais, mas, sim, que esteja enraizada no coração do homem, e, portanto, na convicção pessoal, no sentimento de gratidão por tanto amor, vividos numa existência comum, mas rica da experiência da fé que crê no amor, mesmo quando o mundo quer nos convencer de que Deus é indiferente a nós ou nos deu permissão para vivermos sem ele.

Por sua vez, Maria Santíssima foi quem por primeiro e melhor viveu no seu coração tudo o que o seu Filho fazia e dizia durante sua vida, aquela em quem o Filho pôde encontrar uma correspondência plena, aquela que viveu num coração materno o mesmo sentimento que o Filho viveu num coração filial. Nós podemos começar a corresponder ao amor e podemos ser acompanhados no desenvolvimento porque Maria correspondeu logo e plenamente, e por isso é nossa mãe.

Que nós também possamos dar seqüência aos mesmos sentimentos do Cristo Jesus (Fl 2,5), como foram acolhidos no coração de Maria, pois Jesus saiu de seu seio, mas permanece no seu coração.