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João Paulo II

Um grande papa

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 12, de maio de 2005
 
por Gerard Duchêne

Karol Wojtyla, ou João Paulo Magno, como o chamou o cardeal Sodano, um dos maiores papas da Igreja, como o definiu o cardeal dom Cláudio Hummes, nasceu em Wadowice, no sul da Polônia, em 18 de maio de 1920. Foi ordenado sacerdote em 1946, bispo em 1958, nomeado cardeal em 1967. Teve papel destacado no Concílio e foi eleito papa em 16 de outubro de 1978, sucedendo a João Paulo I, morto após apenas 33 dias de pontificado. Foi, para surpresa geral, o primeiro papa não italiano em mais de 400 anos.

Quatro frases simbolizam e resumem o seu pontificado: “Totus tuus”, “Não tenham medo”, “Mais ao largo”, “Levantai-vos! Vamos!”. A primeira, “Totus tuus”, divisa escolhida logo após a sua eleição, representa o seu amor e a sua fidelidade à pessoa de Maria, que, a exemplo de São João ao pé da Cruz, adotou como mãe, substituindo a que perdera ainda criança. A ela dedicou a sua primeira peregrinação como papa (Nossa Senhora de Guadalupe, no México) e uma importante encíclica (Redemptoris Mater), para quem acrescentou cinco mistérios à recitação do Rosário, e cuja mão, ao que afirmou, desviou, quando do atentado de 13 de maio de 1981, a bala assassina.

O segundo lema, “Não tenham medo”, expresso no seu primeiro discurso como papa, e freqüentemente repetido, chama os cristãos a terem confiança na Providência Divina e em Jesus Cristo, que se entregou para salvá-los, quaisquer que sejam as dificuldades ou provações por que tenham de passar.

O terceiro, “Mais ao largo!”, palavra-chave da importante Carta Apostólica Novo millennio ineunte, conclama os cristãos do terceiro milênio a se abrirem cada vez mais ao mundo, a procurar melhor entender a mensagem de Cristo e aprofundar a sua fé. À luz desse apelo, entende-se todo o esforço de João Paulo II em promover a unidade dos cristãos, o respeito às outras religiões, com as quais procurou manter constantes contatos, sendo o primeiro papa a visitar uma sinagoga (Roma) e uma mesquita (Damasco), a rezar no Muro das Lamentações e a reunir em Assis, em iniciativa inédita, dirigentes das principais religiões do mundo para rezarem pela paz, que, com a justiça e a solidariedade, foram as prioridades do seu pontificado. É também esse lema um apelo a um maior entendimento das culturas e da ciência, mostrando, como o fez principalmente em sua encíclica Fides et ratio, que, contrariamente ao que afirmam os agnósticos e materialistas, não há conflito entre fé e razão, religião e ciência. Nessa perspectiva, João Paulo II procedeu à solene reabilitação de Galileu, fundou uma Academia Pontifícia de Ciências e estimulou constantemente a ciência e a pesquisa.

Finalmente, o quarto lema, “Levantai-vos! Vamos!”, nome de seu penúltimo livro, é um apelo ao apostolado, chamando não só os clérigos, mas também os leigos, a assumir o papel que Cristo lhes confiou de ir por toda a parte anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Nessa perspectiva, na exortação apostólica Christifideles laici, mostrou aos leigos que essa missão deve ser exercida em cada um dos ambientes em que estejam inseridos, na família, na escola, no trabalho, na cultura, no lazer.

João Paulo II nos lembrou ainda a importância fundamental da Divina Misericórdia, para a qual institui nova celebração, no 2º Domingo de Páscoa, justamente o dia em que morreu, misericórdia essa que prima sobre a justiça (Dives in misericordia) e o levou a perdoar Mehmet Ali Agca, que tentou assassiná-lo, a pedir perdão em nome da Igreja por inúmeros erros ou falhas na história, como abusos nas Cruzadas e na Inquisição, o anti-semitismo, a escravidão de negros e indígenas, e a escrever em seu último livro (Memória e identidade): “O limite imposto ao mal é, em definitivo, a divina misericórdia”.

 
“Habemus papam”

O cardeal alemão Joseph Ratzinger, 78 anos, é o sucessor de João Paulo II. Bento XVI foi o nome escolhido pelo 265º pontífice da história. Em suas primeiras declarações, o novo papa Bento XVI disse que é “um simples, humilde trabalhador da vinha do Senhor”. O Pontífice acrescentou: “Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar e atuar com instrumentos insuficientes, e, sobretudo, confio em vossas orações”. Oremos!