O Bom Pastor
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 11,
de abril de 2005
por Magda M. O. David
“Ressuscitou o Bom Pastor que deu a vida
pelas suas ovelhas e se dignou morrer pelo seu rebanho. Aleluia”
A liturgia do mês de abril é dominada pela figura do Bom Pastor e nos convida a meditar na misericordiosa ternura do nosso Salvador. É também uma boa ocasião para considerarmos, na nossa oração pessoal, o nosso amor pelos bons pastores que o Senhor deixou para nos guiarem e guardarem em seu nome.
O Antigo Testamento se refere muitas vezes ao Messias como o Bom Pastor que alimentará, regerá e governará o povo de Deus, freqüentemente abandonado e disperso. Essas profecias cumprem-se em Jesus com características novas. Ele é o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas e que estabelece pastores para que continuem a sua missão. Em contraste com os ladrões, que andam atrás de seus interesses e deixam o rebanho se perder, Jesus é a porta da salvação, que permite encontrar pastagens abundantes a quem a transponha. Existe uma terna relação pessoal entre Jesus, o Bom Pastor, e suas ovelhas: Ele as chama a cada uma pelo seu nome, caminha à frente delas e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz. Ele é o pastor único que forma um só rebanho, protegido pelo amor do Pai. É o Pastor supremo.
Na sua aparição, pouco antes da Ascensão, Cristo ressuscitado constitui Pedro como pastor do seu rebanho, como guia da Igreja. Cristo confia em Pedro, apesar da tríplice negação do Apóstolo. Apenas lhe pergunta, também por três vezes, se ele o ama. O Senhor não vê inconveniente em confiar a sua Igreja a um homem com fraquezas, mas que se arrepende e ama com atos.
O edifício da Igreja estará assentado até o fim dos tempos sobre o primado de Pedro, a rocha. Seus sucessores receberam, mais tarde, o nome de Vigários de Cristo, para dizer, aqueles que fazem as vezes de Cristo.
Os Atos dos Apóstolos narram a comovedora atitude dos primeiros cristãos, quando São Pedro é aprisionado por Herodes Agripa, que tenciona matá-lo depois da festa da Páscoa: a Igreja rezava incessantemente por ele a Deus. São João Crisóstomo dizia: “Observai os sentimentos dos fiéis para com seu Pastor. Não recorrem a distúrbios nem à rebeldia, mas à oração, que é um remédio invencível”.
Devemos rezar muito pelo nosso Pastor, o Papa, e por suas intenções, pois ele carrega sobre os seus ombros o grave peso da Igreja.
Além da nossa oração, devemos manifestar também amor e respeito por aquele que faz as vezes de Cristo na terra. E não haverá respeito e amor verdadeiro ao Papa se não houver uma obediência fiel, interna e externa, aos seus ensinamentos e à sua doutrina. Os bons filhos escutam com veneração mesmo os simples conselhos do Pai comum e procuram pô-los sinceramente em prática. Se estivermos unidos ao Papa não nos faltarão motivos para o otimismo diante da tarefa apostólica que nos espera e, então, poderemos dizer como Josemaría Escrivá: “Não há dúvida: o futuro é garantido, apesar de nós talvez. Mas é preciso que formemos uma só coisa com a Cabeça — 'ut omnes unum sint!' — pela oração e pelo sacrifício”.