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Eucaristia

Fica conosco, Senhor

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 11, de abril de 2005
 
por Gerard Duchêne

“Fica conosco, Senhor, a noite se aproxima” (Lc 24,29). Foi esse o convite que os dois discípulos que, cheios de tristeza, iam para Emaús na tarde do dia da Ressurreição, fizeram ao viajante que encontraram pelo caminho e lhes explicara as Escrituras. Esse também é o pedido que em nosso nome fez o papa João Paulo II na Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, com a qual abriu em outubro passado o Ano da Eucaristia, que se estende até outubro deste ano e durante o qual nos convida a meditar profundamente sobre o grande dom da Eucaristia.

Dez anos atrás, o Papa, por meio da Carta Apostólica Tertio millenio adveniente, quis indicar à Igreja o caminho de preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000. Ele não acreditava, evidentemente, que uma simples passagem cronológica pudesse por si mesma comportar grandes modificações. Os acontecimentos posteriores ao Jubileu mostraram de maneira muito dura uma continuidade com os que os precederam, o que veio a chocar e até a desencorajar muitos cristãos. Mas, ao convidar a igreja a celebrar os dois mil anos da Encarnação, o Papa estava convencido, e o está hoje mais do que nunca, de trabalhar para o longo prazo da humanidade. Cristo, com efeito, está no centro, não somente da história da Igreja, mas também da história da humanidade.

Na estrada de nossa vida, cheia de dúvidas e de inquietudes, de terríveis decepções, Jesus continua a ser o companheiro que, ao explicar-nos as Escrituras, nos leva a compreender os mistérios de Deus. E, à luz da Palavra, quando Jesus senta à mesa com os peregrinos e parte o pão, sucede a luz do Pão da Vida pela qual Cristo cumpre a sua promessa de ficar conosco “todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20).

A narrativa da aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos de Emaús nos mostra que a Eucaristia é um mistério luminoso. O próprio Jesus nos disse “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12), e em cada missa, como no episódio de Emaús, a luz (liturgia) da palavra precede a luz da Eucaristia.

O Papa assinalava também que a tentação é grande de reduzir a Eucaristia a uma dimensão pessoal, esquecendo que se trata antes de tudo de uma refeição, de um banquete em que estamos “em comunhão” com os nossos irmãos. O único pão eucarístico que dividimos faz de nós um só corpo. Não esqueçamos, entretanto, que a refeição eucarística tem um aspecto profundamente sacrificial. O Cristo nos reapresenta o sacrifício realizado uma vez por todas no Gólgota, mas também está presente como Ressuscitado, como diz a liturgia: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição!”. A última parte da aclamação, “Vinde, Senhor Jesus”, nos coloca na perspectiva escatológica do último retorno de Cristo.

Enfim, lembramos que, após terem reconhecido o Senhor, os discípulos de Emaús levantaram-se na mesma hora para comunicar o que tinham visto e ouvido: a Eucaristia nos impele à missão, ao serviço, à difusão do Evangelho e à animação cristã da sociedade. São João, ao narrar a última ceia, não descreve a instituição da Eucaristia, mas, sim, o Lava-pés.

Todas essas dimensões da Eucaristia se cruzam no aspecto mais importante para a nossa fé, o do mistério da “presença real”. Como explicou Paulo VI na encíclica Mysterium fidei: o Cristo inteiro torna-se substancialmente presente na realidade do seu corpo e do seu sangue. Por isso, diante da Eucaristia, devemos nos comportar com a consciência de estarmos diante do próprio Cristo. É o mistério da Presença, pelo qual se cumpre a promessa de Jesus de estar conosco até o fim do mundo. Fica conosco, Senhor!

 
No ano da Eucaristia,
o Papa concede indulgências

O papa João Paulo II, a fim de exortar os fiéis, durante este ano, a um conhecimento mais profundo e a um amor mais intenso para com o inefável “Mistério da fé”, e para que obtenham sempre mais frutos espirituais, quis enriquecer de indulgências determinados atos de culto e de devoção ao Santíssimo Sacramento, a seguir indicados.

É concedida a Indulgência Plenária a cada um dos fiéis individualmente, nas condições habituais (Confissão sacramental, Comunhão Eucarística e oração segundo as intenções do Sumo Pontífice, com o ânimo totalmente desapegado do afeto a qualquer pecado) todas as vezes que participarem com atenção e piedade de uma função sagrada ou de um exercício piedoso realizado em honra do Santíssimo Sacramento, solenemente exposto, ou conservado no Tabernáculo.

Os fiéis, impedidos por doenças ou outras causas justas de poder visitar o Santíssimo Sacramento da Eucaristia numa Igreja, poderão obter a Indulgência Plenária na própria casa ou onde quer que se encontrem devido ao impedimento se, com total reprovação de qualquer pecado, como foi dito acima, e com a intenção de cumprir, logo que seja possível, as três condições habituais, realizarem espiritualmente a visita como desejo do coração, em espírito de fé na presença real de Jesus Cristo no Sacramento do Altar, e recitarem o Pai Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa a Jesus Sacramentado.

Se nem sequer isso puderem fazer, obterão a Indulgência Plenária, se se unirem com desejo interior a quantos praticam no mundo ordinário a obra prescrita para obter a Indulgência e oferecerem a Deus Misericordioso as enfermidades e o mal-estar da sua vida, e tendo também o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições.

 

 

 
O que são as indulgências?

O Catecismo da Igreja Católica define as indulgências assim: “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados cuja culpa já foi perdoada, remissão que o fiel bem disposto obtém em certas e determinadas condições pela intervenção da Igreja, que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberar parcial ou totalmente da pena devida pelos pecados. Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, ou seja, a remissão das seqüelas deixadas pelos seus pecados cometidos e já perdoados pelo sacramento da Penitência.