Perdi um amigo e um pai,
mas estou cheio de gratidão
No dia 22 de fevereiro de 2005 faleceu
padre Luigi Giussani,
fundador do movimento de Comunhão e Libertação
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 11,
de abril de 2005
por padre Vando Valentini, pároco
Por que resolvi propor para toda a paróquia uma reflexão sobre a morte de um padre italiano? Porque ao encontrá-lo fiquei fascinado por Cristo, seguindo-o decidi tornar-me padre, para que, como ele, pudesse ser instrumento para que outros encontrem Nosso Salvador. Assim, todos vocês, meus amigos, estão envolvidos comigo nesta aventura que começou com ele. E todos precisavam saber disso.
Padre Giussani era um sacerdote que se dedicou principalmente aos jovens. Apaixonado por Cristo, percebeu que os jovens não O conheciam e, assim, foi dar aula de Religião num colégio para mostrar a beleza do Senhor Jesus.
Para mim, encontrá-lo foi encontrar uma paternidade na fé. Algo que sempre me surpreendeu nos encontros pessoais com ele era como olhava para mim e para a minha experiência. Sempre mostrava a beleza da minha vida e as graças que o Senhor me doava. Falar com ele era descobrir verdadeiramente quem sou. Acredito que os discípulos, encontrando com Jesus, faziam essa mesma experiência. Foi assim que nasceu em mim o desejo de ser missionário e, depois, de ser padre; não conseguia mais reter tudo isso dentro de mim, precisava anunciar a todos os homens a beleza e a grandeza da misericórdia de Deus que então experimentava e ainda hoje experimento.
Com ele aprendi que ter fé não é acreditar em algumas verdades abstratas, mas é encontrar com Cristo, descobrir quanto esse encontro corresponde ao desejo do meu coração e decidir livremente nunca mais deixá-lo.
A felicidade, a amizade, a vida como aventura, o que um jovem deseja mais do que tudo isso? Foi isso que encontrei. É isso que ainda hoje me dá força.
Agora Giussani passou para a Páscoa definitiva, para a plenitude da Luz. Eu estou triste, mas também agradecido, sabendo que ele agora está mais perto de mim.
O que ele tinha de especial? Ele sempre dizia: “Eu tenho o meu sim a Cristo e basta”.
Eu também preciso da simplicidade desse sim, porque Cristo vem ao meu encontro hoje aqui, nas circunstâncias concretas da minha e da nossa vida. Como o sim de Maria diante do anúncio do Anjo. Com ele aprendi a não ficar determinado por tantos detalhes: a minha fragilidade, os meus projetos e medos, as minhas capacidades ou as fragilidades e as dificuldades dos outros, ou até da própria Igreja. Aprendi a olhar unicamente para Cristo, presente na companhia humana da comunidade cristã, e com ela arriscar toda a minha vida, porque vale a pena.
Com ele aprendi a amar todos os homens, como Cristo os amava. Começando a amar e a gostar de mim mesmo, a gostar do meu infinito desejo de felicidade que nunca me deixa tranqüilo e sossegado. Amar cada homem pelo desejo de verdade e de justiça que habitam em seu coração.
Peço, de novo, a ele que agora está na Casa do Pai, que interceda por mim, e peço a Maria que todos nós possamos ter sempre a simplicidade de coração necessária para amar e seguir a Cristo.