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março/2005 Editorial

Campanha da Fraternidade ecumênica
Solidariedade e paz

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 10, de março de 2005
 
por padre Vando Valentini, pároco

Neste tempo de preparação para a Páscoa, a Igreja nos propõe uma campanha sobre solidariedade para a construção de uma cultura da paz. O primeiro gesto concreto desta campanha é ser ecumênica, exatamente pelo motivo de ser o diálogo entre as várias Igrejas cristãs um fator fundamental para a construção da cultura da paz.

O empenho da Igreja Católica pelo ecumenismo vem crescendo desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), que exprimiu a decisão da Igreja de assumir a sua vocação ecumênica. O papa João Paulo II assumiu plenamente o ecumenismo e, em sua carta encíclica Ut unum sint, escreveu: “Cristo chama todos os seus discípulos à unidade. O ardente desejo que me move é de renovar hoje este convite e repropô-lo com determinação”.

O trabalho efetuado para progredir no ecumenismo durante a segunda metade do século passado deu bons frutos em muitos encontros, mas poderíamos dizer que o maior progresso nessa construção da unidade deu-se nas relações com a Igreja Ortodoxa Grega.

No Brasil, a campanha deste ano foi lançada pelo Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), do qual fazem parte a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil, a Igreja Cristã Reformada, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, a Igreja Metodista e a Igreja Presbiteriana Unida. O objetivo do Conic é educar para o ecumenismo, visando um caminho comum para as Igrejas e a unidade entre elas.

O ecumenismo tem dois princípios básicos: o da unidade e o do diálogo. A unidade está clara nas palavras de Cristo: que todos sejam um... para que o mundo creia (Jo 17,21), para que o mundo reconheça que o Pai O enviou e creia nEle. O princípio do diálogo é o respeito da identidade, da cultura, da tradição e dos elementos específicos de cada Igreja. De fato, não haverá diálogo verdadeiro onde cada um perder a sua identidade e se confundir numa massa comum. O ecumenismo, portanto, valoriza a identidade que se abre para o diálogo. É nesse diálogo que objetiva descobrir os valores presentes no outro e, a partir disso, construírem juntos algo novo. Por isso, o ecumenismo nos leva a nos aproximarmos mais do mistério de Cristo com atenção e respeito pelo caminho do outro, pedindo ao Espírito Santo que possamos superar o que nos separa e realizar a unidade que Jesus pediu para que o mundo creia nEle.

O diálogo ecumênico nos obriga a redescobrir a fé comum na Santíssima Trindade e na pessoa de Jesus como filho de Deus. Quando se realiza um diálogo com pessoas de outras religiões que não reconhecem Jesus como filho de Deus, como, por exemplo, os judeus ou os muçulmanos, não se fala de ecumenismo, mas, sim, de diálogo inter-religioso, que também é muito importante na construção da cultura da paz.

Mas o que nos interessa objetivar na Campanha da Fraternidade deste ano é, em primeiro lugar, a experiência do ecumenismo. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais nos aproximamos entre nós e entre as várias igrejas de denominação cristã. A proximidade de Jesus nos torna próximos uns dos outros.

Peçamos a Nossa Senhora que nos torne atentos e criativos para que possamos viver uma postura ecumênica em nossas casas e em nosso cotidiano.