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Ano litúrgico

A noite do Natal!

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 8, de dezembro de 2004
 
por Aníbal Carneiro e Maria de Fátima

Eram reis, sábios ou astrólogos que por meio da ciência entenderam a mensagem de Deus e, como nós, também quiseram ver Jesus.

“Onde está o Rei dos judeus? Vimos sua estrela no oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,2).

Quantas estrelas enchem de brilho o oriente do nosso dia! Quantas luzes, quanto esplendor a ofuscar nossos olhos, neste tão esperado tempo do Natal!

Belíssimas árvores de todos os tamanhos, para todos os gostos. Papai Noel que canta, dança, toca instrumento. Anjos vestidos de dourado, com riquíssimas plumagens. Vitrines repletas de consumismo a encherem de frustrações os menos favorecidos. Quanto tudo, repleto de nada, porque vazio de Deus!

Mas onde está o Rei dos judeus?

Vimos sua estrela no céu, mas viemos adorá-lo?

Em meio a tantos apelos que o consumismo nos faz, será que o encontraremos? Procurando-o, não o encontramos. Buscando-o, não o vemos.

Como os magos, sigamos a estrela que nos guia e que, também a nós, nos leve ao abrigo de uma gruta que se transformou em lar. Ao calor de uma manjedoura que serviu de berço, ao aconchego de um estábulo que virou sacrário. À morada de um Deus que se fez criança, para nascer de uma família.

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14).

Na alegria deste Natal, que a nossa felicidade não se resuma ao piscar das lâmpadas, às surpresas dos presentes, ao sabor das iguarias, às alegrias dos vinhos deliciosos, ao encanto pelas cestas caprichosamente elaboradas. Mas procuremos ver Jesus dentro de nós mesmos. No rosto do desfalecido pela fome. Na lágrima que rola, na mão estendida, no corpo desnudado e que sofre o frio da nossa indiferença. Na tristeza das famílias violentadas. Na dor que faz morada nos leitos dos hospitais. Na solidão dos abandonados. No desespero que dilacera o peito do encarcerado.

E que possamos encontrá-lo no aconchego do nosso lar, no abraço do irmão, na ajuda ao mais necessitado. Na ternura do sorriso de nossas crianças. Na euforia inquieta do adolescente. No carinho dos mais velhos. No beijo que une os casais. No amor que sustenta as famílias. No perdão que possamos mostrar àqueles que nos feriram. Na participação ativa na Igreja. No encontro que nos torna um, em Deus. Para que possamos um dia ver Jesus face a face, tal como Ele é.

Façamos neste Natal uma reflexão sobre o quanto nós temos contribuído para aumentar o amor neste planeta.

O quanto temos ajudado nossos filhos, amigos, parentes, a serem menos ambiciosos e mais amorosos.

O quanto temos incentivado o diálogo, em vez da violência.

O quanto temos desejado a paz e lutado por ela.

Neste Natal, façamos uma introspecção profunda e pensemos em quanto temos seguido no caminho de Jesus Cristo, filho de Deus, que tanto nos tenta ensinar.

Feliz dia de Natal a todos...

Muita paz, carinho e que todos vivam em paz e amor com suas famílias.