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Catequese

Matrimônio e família

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 8, de dezembro de 2004

A formação de uma sociedade segue, quase sempre, este itinerário, não necessariamente nesta ordem: namoro, matrimônio e família. A verdade é que em todas essas fases da peregrinação humana a mola propulsora é o relacionamento e interação afetiva, iniciada com o penhor da fé, fidelidade e confiança do noivado, selando-se com o sacramento do matrimônio, sinal eficaz da presença real e fecunda do Cristo pascal, para então resultar nos frutos desse amor sacramentado que é a “família, serviço à vida” (padre José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstätt).

Essa primeira etapa de relacionamento humano, o namoro, e, posteriormente, a oficialização desse compromisso pelo noivado, significa garantia de fé, salvo-conduto, indica um penhor (um sinal de antecipação de uma realidade plena), que comporta um dar-se a uma entrega incondicional ao outro, porque sabe que pode confiar naquele (ou naquela) a quem se entrega, e que coincide com um ato — também formal, selado pela entrega da aliança — que expressa a entrega recíproca de um homem e uma mulher.

Nas palavras de Angelo Scola (O Mistério Nupcial, Bauru, Edusc, 2003), o noivado é o tempo de verificação, da prova para a vocação e a realidade do matrimônio, onde a afeição, propulsora do relacionamento de fidelidade, caminha mediante o trabalho e realiza a personalidade, por meio da qual, com atração singular, o eu é chamado à grande escola do outro para aprender a si mesmo.

Já na dimensão do matrimônio, passo seguinte à ordem natural da vocação conjugal, os noivos levam para o altar da celebração seu amor, sua vontade decidida de se quererem, de serem fecundos, de sua fidelidade e seu desejo de que esse amor seja definitivo. Nesse momento sublime, o sacramento celebra esse amor e injeta nele germes do amor eterno e indissolúvel de Jesus pela Igreja. O casal se torna encarnação, testemunha de tal amor (Equipes de Nossa Senhora, Acompanhamento de recém-casados, abril de 1998).

Assim, marido e mulher entram num dinamismo de amor total e definitivo. O amor conjugal dos cristãos é reflexo do amor da nova e eterna Aliança. Esse é o grande mistério de que falava São Paulo.

Quando Jesus lembra aos fariseus que “no princípio não era assim” e não existia divórcio nem separação, quer lembrar-nos que só havia uma exigência clara da Palavra de Deus: que o homem e a mulher vivessem unidos no amor, num relacionamento de igualdade e reciprocidade. Não se tratava de cumprir uma lei ou um mandamento. Tratava-se de respeitar uma profecia. E a profecia era esta: “O homem não separe o que o Amor uniu”, mas que ele e ela formassem uma só carne (padre Virgílio, ssp, Jornal O Domingo).

O Evangelho entende que o amor é por si mesmo indissolúvel. Indissolúvel não por coação externa, e sim por escolha, por decisão espontânea dos dois. Por essa razão, os vínculos que nunca se rompem são os que nascem da liberdade e se fundamentam na lei do amor, o qual postula esquecimento de si mesmo para viver pelo outro. A esta altura, o que vale mesmo é o dom recíproco da vida pela vida (padre Virgílio, ssp, Jornal O Domingo).

E quando falamos em dom recíproco da vida pela vida, temos então a família. O Papa João Paulo II, na Carta às famílias, atribui à família, fundada sobre o matrimônio indissolúvel, um poder soberano. Tal soberania se apóia, em última instância, sobre a indissolubilidade do vínculo matrimonial diante de Deus e dos homens. O ser “para sempre” pertence, com efeito, à natureza do consenso matrimonial. Um sim que não seja para sempre já se apresenta com pouca credibilidade, não realmente verdadeiro, desestabilizador da integridade familiar.

João Paulo II percorreu, ao longo de seu pontificado, por meio de numerosas meditações sobre a família e o matrimônio, todas as questões ligadas ao assunto que ora aqui tratamos. Seu magistério relacionado a essa temática, diante dos emergentes desafios do fim do milênio, permitiu um aprofundamento comportamental da relação familiar e conjugal e ofereceu uma fundamentação cristológico-trinitária. Culminou por favorecer de tal modo o desenvolvimento da teologia da família que esta começa a ter um peso próprio dentro da sistemática teológica, deixando de ser um simples apêndice do tratado a respeito do matrimônio.

Todavia, é a sacramentalidade do matrimônio que torna a família objetivamente igreja doméstica e, portanto, dimensão da evangelização. E isso ocorre porque a Igreja é Sacramento e por seu meio realiza a possibilidade do encontro de Deus com o homem de hoje, e na sua vertente realiza, também, a possibilidade da união profunda, em Cristo, entre os dois que se amam, tornando-se ocasião, terreno santo e eclesial para todos.

E mais. No matrimônio e na família a liberdade do homem pode experimentar quotidianamente a humanidade de Cristo como sinal sacramental da Sua divindade.

Por essa razão, não podemos perder de vista que, na construção da família, os fiéis respondem à sua vocação eclesial: a santidade e a fecundidade da família são compreendidas, nesse sentido, como expressão e desenvolvimento da missão que emerge do sacramento.

Finalizando, João Paulo II pontifica, em Sollicitudo rei socialis, 15 e 28, e em Centesimus annus, 13, que a família, realizando sua vocação evangelizadora e fundada sobre o matrimônio, é, enquanto tal, um fator de civilização. Ela constitui, de fato — já o recordamos —, uma expressão primária daquela subjetividade social que é elemento imprescindível do desenvolvimento de toda sociedade civil, e formadora das nações.

 
Preparação para o Casamento

Em nossa paróquia são realizados, anualmente, quatro Encontros de Noivos, coordenados pelas Equipes de Nossa Senhora.

A equipe é composta pelos casais: Maria de Fátima e Rubens Bracco, Sônia Maria e Flávio Carpegiani, Maria do Carmo e Antonio Gerger, Anna Helena e Fernando Altenfelder, Marilene e Romualdo Martins.