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dezembro/2004 Editorial

Natal: a fonte da esperança

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 8, de dezembro de 2004
 
por padre Vando Valentini, pároco

Por que o Natal é tão importante para nós, cristãos? Porque relembramos o mistério da Encarnação? Mas por que isso é tão decisivo para o cristianismo? Jesus não poderia ser apenas um grande filósofo, um grande homem que nos deixou uma mensagem de profunda humanidade? Por que é tão importante que ele seja o Deus encarnado?

Dito de outra forma, por que a nossa religião é a certa? Não adianta dizer que todas as religiões são iguais, porque não é verdade. Por exemplo, na nossa religião não dá nem para imaginar um cara que se suicida para matar mais gente com ele, e isso em nome de Deus. Eu quero seguir o caminho, a religião que me leva de verdade para mais perto de Deus, e não uma religião qualquer.

Não é que o cristianismo seja a melhor religião, falando do ponto de vista subjetivo. Isto é, não é que nós, cristãos, sejamos os homens melhores, mais perfeitos. Deveríamos ser melhores, mas isso nem sempre acontece.

A questão é uma outra. É que o cristianismo não é uma religião. O que é? É o caminho que o próprio Deus veio nos indicar para alcançá-lo.

Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Jesus não veio fundar mais uma religião. Ele nos disse: se você quiser alcançar a Deus, venha e siga-me. Nós, cristãos, tristemente, não somos melhores do que os outros, mas o cristianismo é o único caminho, pois foi traçado pelo próprio Deus. Daqui nasce a importância fundamental de que Jesus seja o Filho de Deus.

É claro que a conseqüência disso é que cada cristão deve chegar a esta convicção sobre Jesus Cristo, quer dizer, chegar à certeza sobre o fato de Ele ser Deus.

O próprio Jesus, certa vez, perguntou para os discípulos: “O que dizem os outros sobre mim?”. E depois: “E vocês, o que dizem sobre mim? Quem sou eu?”. É fundamental que cada cristão responda a essa pergunta, pois a resposta muda a nossa postura diante do cristianismo. E também diante de tudo o que a Igreja nos diz hoje.

Trata-se de uma idéia, entre tantas outras? (Talvez a mais bonita.) Ou Cristo é o único caminho? Devemos olhar para nossa experiência de encontro e de convivência com Ele para dar nossa resposta. E essa resposta estará repleta de conseqüências, porque seguir o que Deus nos diz é fundamental para a nossa felicidade.

Nós nos encontramos com Jesus por meio da nossa educação, mas sobretudo encontrando os que hoje o seguem: os cristãos e a sua Igreja. De fato, experimentamos que somente aquilo que Jesus nos diz é que corresponde profundamente ao nosso coração. Somente o encontro com Ele nos surpreende constantemente e nos maravilha. Somente Ele nos perdoa e nos recoloca de pé todos os dias. Esses são todos os “milagres” que nos levaram a assumir a nossa fé de verdade. Enfim, são muitos os sinais que Ele nos dá para que reconheçamos nele o próprio Deus que se faz presente em nossa vida.

E o Natal? É o início desta história que começou dois mil anos atrás.

Que o Senhor vos doe um feliz Natal, uma festa em que a certeza sobre Cristo e a sua Igreja se renove na vossa vida. Para que a certeza da presença de Deus entre nós renove a cada instante a nossa esperança e acenda o nosso amor.