A pastoral do Batismo
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 7,
de novembro de 2004
Até pouco tempo atrás não havia reuniões de preparação para o batismo como temos hoje. Elas surgiram depois do Concílio Vaticano II e procuram resgatar uma tradição antiga da Igreja dos primeiros cristãos. A história de um longo período de catecumenato, que durava no mínimo três anos e pelo qual passava quem pedia para ser batizado, bem revela isso.
Naquela época, tínhamos unicamente batismo de adultos e desses se exigia uma intensa conscientização do que era a Igreja e o próprio batismo. Nossa prática atual, com bem menos tempo de formação, busca preparar as pessoas para que se aproximem desse sacramento com uma maior consciência do seu valor e significado.
Pelo sacramento do batismo somos verdadeiramente incorporados em Cristo e na sua Igreja e regenerados para participar da vida divina. O sacramento realiza aquilo que ele significa. Não é um sinal que dependa da nossa convicção, da nossa fé. É um sinal que realiza, que faz aquilo que ele exprime e concede uma graça santificante. Chamamos o sacramento de sinal porque essa parte visível indica que se realizou uma parte invisível: receber a graça santificante é graça do Sacramento. É a sua parte invisível, espiritual. No batismo, o sinal é a água.
A água é um pouco de nós mesmos, já que a maior parte de nossa substância química é constituída de água. Todos nós nascemos envoltos em água e nossa existência depende da mesma para sobreviver. Talvez por isso essa palavra esteja tão arraigada no nosso inconsciente. Ora, devemos a ela dedicar amor, pois Deus a ela se compara.
Sintam como é uma delícia apalpar a água à vontade! Senti-la escorrer entre os dedos, vê-la brilhar na aurora, nas gotas de orvalho ou refletida no colorido das cores do árco-íris. A água, além de sua função de limpeza, exerce uma ação de calmante sobre as pessoas agitadas e é revigorante para aquelas fatigadas.
Na narração bíblica da criação, encontramos já no seu primeiro parágrafo: “Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2).
Deus usa a água como símbolo dele mesmo: “Vós todos que tendes sede, vinde às águas” (Is 55,1).
A água serve como tema para celebrar o amor entre Deus e o ser humano: “Como a corça suspira pelas águas correntes, assim minha alma suspira por Ti, minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!” (Sl 42,2-3).
A água é palavra de Deus que tranqüiliza a alma: “Bendito o homem que se fia em Deus, cuja confiança é em Deus. Ele é como uma árvore plantada junto da água, que lança suas raízes para a corrente: ele não teme quando chega o calor, sua folhagem permanece verde; em um ano de seca ela não se preocupa e não pára de produzir frutos” (Jer 17,7).
E a alma em paz viverá na presença do Senhor: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará, em verdes prados me faz repousar; conduz-me junto às águas refrescantes” (Sl 23,1-2).
Jesus também empregou amorosamente essa palavra “água”. No seu batismo a utilizou, fez dela objeto de seu primeiro milagre, mandou o cego de nascimento lavar-se nela (Jo 9,7) e a apresentou como símbolo da graça. Disse Ele para a samaritana: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te pede: dá-me de beber, tu mesma lhe pedirias a água viva” (Jo 7,37).
E Jesus fez da água do batismo uma necessidade para adquirir a vida eterna: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,4).
O batismo é conferido com a água e a fórmula que indica claramente o ato de batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Essa necessidade do emprego da água em conjunto com a fórmula trinitária põe em dúvida o batismo de grande número de Igrejas Pentecostais, que utilizam a fórmula: “Eu te batizo em nome do Senhor Jesus”. Nessa situação, a recomendação é de se batizar novamente sob condição. Dentro desse prisma, busca-se determinar com clareza em quais situações os diversos ritos batismais das várias confissões cristãs são reconhecidos como sacramento válido pela Igreja Católica.
As seguintes Igrejas batizam validamente e não é necessário rebatizar: Igrejas Orientais, Igrejas Vétero-católicas, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
|
Na nossa paróquia são realizados mensalmente dois cursos de preparação para o Batismo, com inscrições na secretaria. A equipe que ministra essa formação é composta pelas seguintes pessoas: Ivete e Francisco Gonçalves, Alzira e Waldemar Azevedo Lage, Lucy Maria Paolini e Maria Thereza de Siqueira.
|