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Voluntários a serviço da vida

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 6, de outubro de 2004
 
por Andréa de Aguiar Vaz,
Augusto Octavio de Oliveira Pinto Filho,
Carmen D. Aguiar Vaz, Cecília Teixeira da Silva Vasto,
Lilian Leal, Neuza Torales de Gismenes,
Olívia Maria Teixeira Gurjão e Renata Salla Paulilo

A Capelania Católica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, coordenada pelo nosso querido padre João Inácio Mildner, conta com 41 voluntários, dos quais oito são integrantes da nossa paróquia.

Para ser voluntário, basta a vontade — o dom de Deus — e o preparo espiritual e prático. Para tanto, é oferecido um curso onde os profissionais do hospital e o padre João dão as orientações necessárias para o entendimento do dia-a-dia da unidade, dos cuidados com os pacientes e da prevenção de riscos. São médicos infectologistas, clínicos, enfermeiros, auxiliares, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, enfim, vários integrantes da equipe multidisciplinar que orientam aqueles que querem se envolver com a dinâmica hospitalar.

O conhecimento técnico auxilia e nos dá segurança no trato com o paciente, mas é em Cristo que buscamos os principais ensinamentos para praticar a ação voluntária. Como declara o capelão, o mais importante é ser presença amiga, ouvir, acolher, se colocar ao lado. Essa simplicidade cristã é a grande revelação. Entramos no hospital despidos de pré-conceitos (e preconceitos), nos colocamos ao lado do paciente, adulto ou criança, e dizemos que estamos ali para conversar, para orar. O milagre do amor acontece naturalmente.

Sem que possamos perceber, somos família e criamos laços de amor, de solidariedade recíproca. Quem chegou para ser presença amiga ganha presenças amigas. Ouve o paciente e ele lhe traz mensagens para a vida. A oração sela nossos laços, a missão se faz.

Parceria e união

A capelania tem muitos parceiros no hospital. São os profissionais da sáude, são outros grupos voluntários, são as famílias que harmoniosamente sabem que zelam pelos mesmos cidadãos. Ao lado da Associação Viva e Deixe Viver (contadores de histórias), realizamos três festas anuais: Páscoa, Dia das Crianças e Natal.

Nas três oportunidades são preparadas festas para mais de mil convidados, organizadas 800 sacolinhas com presentes para as crianças - ovos e colombas de Páscoa na primeira e brinquedos e doces nas outras duas. Várias atrações, brinquedos, atividades e barracas com alimentos e refrigerantes favorecem o clima de folia, de comemoração da vida, e proporcionam aos pequenos pacientes do hospital um momento de satisfação e de plena alegria. Já não se lembram das agulhas, dos medicamentos, da dor. Alguns, com dificuldades de locomoção, vão nas cadeiras de rodas, outros levam o soro. Aainda assim, na festa tudo é alegria.

Nas segundas-feiras é celebrada missa no próprio hospital. Uma ampla sala no 8º andar acolhe pacientes, familiares e funcionários que querem participar da Ceia do Senhor. A Capela, onde está o sacrário, fica no 9º andar, está sempre aberta — nem tem porta! —, mas é pequena demais para a celebração.

Os pacientes são visitados diariamente, de segunda a domingo — feriados, dias de chuva ou de sol — e aqueles que desejam e estão preparados recebem a Eucaristia. No hospital, muitos sacramentos são ministrados: batismo, primeira eucaristia, unção dos enfermos... Sempre é feito o preparo para o entendimento do sacramento a ser recebido. A urgência não elimina a responsabilidade.

Quem são os voluntários?

Você deve estar curioso para saber quem são os voluntários que dedicam um pouco do seu tempo, do seu afeto, da sua vida a esta ação. Pois bem, são donas de casa, profissionais liberais, trabalhadores, aposentados, jovens de todas as idades. Tem a Renata, que começou mocinha (ainda é), que curte a criançada e aproveita para brincar amando e se doando; tem outros de cabeça branca, como o Augusto, que realizou seu sonho de ser voluntário após a aposentadoria e, agora, visita o hospital três vezes por semana e tem dificuldade de ir embora. Tem aquelas que já vão em família, como a Carmen e a Andréa. Tem gente de todo jeito, de todo tamanho, de toda idade.

Uns têm netos, outros, filhos. Todos têm famílias e afazeres fora do hospital, mas todos são unânimes. Não deixam o Emílio por nada! Ali, recebem o complemento do alimento espiritual. Põem em prática a vivência cristã e comemoram a cada dia o dom da vida.

É triste? É chocante? Morre gente? Não é triste! A graça da presença amiga transforma a dor e traz alento aos que sofrem. Por outro lado, fortalece a fé e nos dá mais vigor para a vida. Não é chocante! Estamos ao lado dos filhos de Deus, dos pequeninos, e nos agraciamos em vermos tantos sorrisos e mãos estendidas. Tem morte? Sim. A morte é uma etapa que todos vivenciam. Até aprendemos a lidar melhor com as perdas. Tem morte e tem preparo para a morte. Alívio e fé na ressurreição. Mas não pensem que estar no Emílio é uma sentença. Não! Quem está ali está recuperando sua saúde, está se tratando e, na maioria dos casos, nos deixam para ir pra casa, recebem alta médica. Então, sentimos uma saudade feliz. Sabe como é? A gente sente falta da presença do amigo paciente, mas sabe que ele está bem, junto de outros amigos e familiares, nas suas atividades cotidianas. E tem coisa melhor do que isso?

Se você sentir uma vontadezinha de conhecer a nossa turma, não se acanhe, marque uma visita. Quem sabe você também terá a graça de partilhar tantas alegrias?

 
Fale conosco

Tel./fax: 3896.1342. Ou procure o padre João após a missa das 11h30, aos domingos.