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Outubro

O rosário

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 6, de outubro de 2004
 
por Magda M. de Oliveira David

No século XII, nos mosteiros católicos, costumava-se rezar os 150 salmos bíblicos em diferentes horas do dia. Alguns monges, por serem analfabetos, substituíam os salmos por 150 ave-marias, dividindo-as em três grupos de cinqüenta. As ave-marias eram contadas em nós feitos nos cordões, como uma “coroa de rosas” oferecida a Nossa Senhora

Nessa época, a Igreja passou por momentos difíceis, especialmente na luta contra as heresias. Diz a tradição que São Domingos, da Ordem dos Pregadores, sofreu muito para conciliar o ataque aos heréticos com o cristianismo. Nessa ocasião, Nossa Senhora lhe apareceu, na igreja de Notre Dame de la Dreche, para consolá-lo dessa tristeza, dando-lhe a oração do rosário, como antídoto que o povo deveria usar contra a heresia. Verdadeira ou não essa história, o certo é que São Domingos deu testemunho da força da oração, tornando-se um apóstolo zeloso e, sobretudo, um orante contemplativo por meio do rosário.

Em 1569, o Papa Pio V definiu o rosário com a estrutura usada até outubro de 2002, quando o Papa João Paulo II, sob o impulso de uma inspiração sublime, acrescentou mais um mistério aos outros três já existentes, completando, assim, a reflexão das etapas fundamentais da vida de Jesus Cristo: anúncio da encarnação, nascimento, apresentação no templo e Jesus entre os doutores da lei (mistérios Gozosos ou da Alegria); batismo, auto-revelação em Caná, anúncio do reino de Deus, transfiguração e instituição da Eucaristia (mistérios Luminosos ou da Luz); agonia, flagelação, coroação de espinhos, o caminho do calvário, crucificação e morte (mistérios Dolorosos ou da Dor); ressurreição, ascensão, vinda do Espírito Santo, assunção e coroação de Maria Santíssima (mistérios Gloriosos ou da Glória). Dizemos que o rosário é uma oração cristocêntrica, porque tem como centro os mistérios de Cristo, e é, também, uma oração mariana, porque louva Maria, em razão de Deus lhe ter concedido “maravilhas da graça”, em vista da encarnação de seu Filho.

Recitar o rosário nada mais é que contemplar com Maria o rosto de Cristo. Maria propõe aos que crêem os “mistérios” de seu Filho, desejando que sejam contemplados, para que possam irradiar toda a sua força salvífica. Fazer memória deles, em atitude de fé e de amor, significa abrir-se à graça que Cristo nos obteve na obra realizada por Deus na história da salvação. É preciso que ao rezarmos o rosário estejamos conscientes da importância dessa contemplação, pois sem ela o rosário é um corpo sem alma e sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: “Quando orardes, não multipliqueis palavras como fazem os pagãos; eles imaginam que pelo muito falar se farão atender” (Mt 6,7). A recitação do rosário requer um ritmo tranqüilo que favoreça naquele que ora uma meditação mais madura e que abra o acesso às insondáveis riquezas dos mistérios da vida do Redentor. Contemplando desse modo o rosário poderemos, quem sabe, percorrer o caminho da santificação, como o fez o beato Bartolo Longo, verdadeiro apóstolo do rosário, que se apoiava numa inspiração ouvida no fundo do coração: “Quem difunde o rosário se salva!”.