Setembro, mês da Bíblia
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 5,
de setembro de 2004
por frei Bernardino
Chegamos em mais um ano ao mês comemorativo da Bíblia, o mês de setembro. A liturgia prescrita pelo Antigo Testamento para a festa das Tendas, que caía entre setembro e outubro, comemorava a Aliança de Deus com o seu povo, e então se renovava a Aliança por meio da leitura do Pentateuco, como se pode ler no capítulo oito do livro de Neemias. Que este mês seja igualmente por nós celebrado de tal forma que possamos renovar o nosso apreço pela Palavra de Deus e suscitar mais em nós o desejo de entendê-la. A compreensão da Bíblia não é questão, em primeiro lugar, de inteligência especial ou de cultura aprimorada; aliás, estas só ajudam de verdade quando cultivamos o mais importante, que é uma disposição espiritual.
Estamos lendo este ano, aos domingos, o Evangelho de Lucas. O evangelista também nos mostra como deve ser essa leitura, quando diz que Maria conservava todas essas coisas meditando-as em seu coração (Lc 2,19.52) ou quando refere o elogio de Jesus aos que guardam a sua palavra e a põem em prática (Lc 11,28), ou quando apresenta Maria, a irmã de Marta, entretida aos pés de Jesus, a ouvir sua Palavra (Lc 10,39). Dispor-se a ouvir com total abertura de coração sem admitir interferências: eis a principal atitude. Depois guardá-la no coração para lá ir conferindo uma coisa com outra, como se faz com um tesouro, pois só assim, pela familiaridade, a Palavra revela seu segredo e seu valor. Alimentar o desejo, manifestado na oração, de que o Espírito nos ilumine para que a Palavra tenha sentido e a nossa vida mais sentido com ela. Assim, teremos condições de transformar em vida tudo o que o Senhor nos diz e a nossa comunhão na Eucaristia poderá ser sempre mais uma comunhão com o corpo e o espírito de Jesus, com o que está nos seus pensamentos e nos seus afetos.
Não valeria a pena reservar alguns minutos do dia como nosso espaço sagrado, para ouvir e meditar a Palavra, quem sabe, tirada da liturgia diária, conservando uma breve frase para recordá-la durante o dia, como fazemos com melodias que apreciamos?