A colaboração do homem e da mulher
na Igreja e no mundo
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 4,
de agosto de 2004
por G. Duchêne
Na Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo, importante documento (mal interpretado pela mídia) cuja leitura recomendamos, esse tema foi abordado pelo Vaticano visando levar a “uma reta compreensão da colaboração ativa do homem e da mulher na Igreja e no mundo” e “instaurar um diálogo com todos os homens e mulheres de boa vontade, na busca sincera da verdade e no esforço comum de promover relações cada vez mais autênticas”.
Duas tendências errôneas apareceram nos últimos anos: a primeira, sublinhando uma condição de subordinação da mulher, procura criar uma atitude de contestação, opondo aos abusos de poder masculino uma estratégia de busca de poder feminino. A segunda, para evitar a supremacia de um ou outro sexo, tende a eliminar as suas diferenças, considerando-as não como diferenças biológicas, mas como um condicionamento histórico-cultural.
A Escritura nos diz que “Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, criou-o homem e mulher” e que Adão, sentindo-se só, recebeu de Deus a ajuda de que precisava na pessoa da mulher, “realmente carne de minha carne e osso de meus ossos”, como exclama maravilhado ao vê-la. Deus criou, pois, um ser humano em duas pessoas de igual dignidade, porém diferentes e complementares, chamados não só a existir um ao lado do outro, mas a existir um para o outro, tornando-se “uma só carne”. Assim, na unidade a dois, o homem e a mulher são chamados desde o início a exprimir o amor, amor que se torna dom, realizando o próprio sentido do seu ser e existir. Essa união, parte importante do projeto de Deus para os homens, foi mais tarde elevada por Jesus ao nível de sacramento.
A sexualidade, ou seja, a diferença entre o homem e a mulher, não reside apenas no plano físico, mas também no psicológico e espiritual, e a sua união, santa porque desejada por Deus, só é alterada pelo pecado, que precisa ser afastado para não destruir a relação ferida.
Um dos valores fundamentais da vida concreta da mulher é a sua “capacidade para o outro”. Embora o discurso feminista reivindique as exigências “para ela mesma”, a mulher conserva a intuição profunda de que o melhor de sua vida é orientado para o despertar do outro, para o seu crescimento e proteção, intuição essa ligada à sua capacidade física de dar a vida. Graças a ela, a mulher possui uma capacidade única de resistir às adversidades, tornar a vida ainda possível mesmo em situações extremas, conservar um sentido tenaz do futuro e, por último, recordar com lágrimas o preço de cada vida humana. A maternidade, porém, pode encontrar também formas de realização plena onde não há geração física.
Nessa perspectiva compreende-se o papel insubstituível da mulher em todos os aspectos da vida familiar e social que envolvam relações humanas e o cuidado do outro. É o que o Papa chamou gênio da mulher. Isso implica, em primeiro lugar, que as mulheres estejam presentes ativamente e com firmeza na família e, em segundo lugar, no mundo do trabalho e da organização social e tenham acesso a cargos de responsabilidade que lhes dêem a possibilidade de inspirar as políticas das nações e promover soluções inovadoras para os problemas econômicos e sociais. É preciso, pois, que elas possam harmonizar essas duas missões, o que implica resolver problemas de ordem jurídica, econômica, familiar e cultural, um grande desafio para a nossa sociedade.