Educação: único caminho
para um Mundo Novo
Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 3,
de junho/julho de 2004
por padre Vando Valentini, pároco
As manchetes dos jornais anunciam as atrocidades do terrorismo e da “guerra contra o terror” no Iraque e as conseqüências das dificuldades econômicas do Brasil. Será que isso tem a ver conosco?
O terror só se sustenta a partir de uma visão deturpada da dignidade da pessoa humana, que vê no outro uma ameaça à própria realização. A guerra não pode ser resposta ao terror. Nós também estamos envolvidos nesse problema porque o fenômeno da violência urbana nas nossas cidades não é diferente do terrorismo.
Em qualquer situação, não podemos ficar coniventes com a morte de inocentes e com a impunidade.
A única resposta é educar o homem. Para que possamos fazer frente a todas as formas de violência, devemos nos educar a reconhecer a nossa dignidade, recuperando uma postura solidária em que cada um é co-responsável pelos outros. A única solução possível passa pela educação.
Para enfrentar as dificuldades sociais, políticas e econômicas que marcam o Brasil, é necessário criar condições adequadas para superar os problemas ou, pelo menos, para permitir que eles não esmaguem os povos. Um processo educativo é a verdadeira resposta, porque cria as condições para que isso aconteça.
A Igreja contribui para esse processo educativo, seja por suas iniciativas educativas e sociais, seja pela própria vida litúrgica e sacramental.
A Liturgia nos educa para o Mundo Novo
Pela Liturgia, somos introduzidos no Mundo Novo gerado por Cristo.
A Ressurreição de Cristo redime e perdoa o homem e introduz no mundo uma realidade nova, um Mundo Novo. Mas que mundo é esse? Não é um outro planeta ou um mundo paralelo ao nosso mundo, é a verdade deste mundo, isto é, a realidade percebida na sua profundidade.
Parece difícil de compreender, mas não é. Outro dia fui visitar um rapaz de 20 anos que parou de cursar o último ano da faculdade por causa de um câncer; já passou por duas cirurgias e agora está fazendo terríveis sessões de quimioterapia. Ouvi sua confissão e ele recebeu a Eucaristia. Falamos de Cristo, de seu perdão e de seu amor por nós. Uma coisa simples, uma coisa daquele “outro mundo” que dá sentido a este nosso mundo. Porque neste mundo há coisas que não se vêem e nem se tocam, mas que fazem com que todas as coisas da nossa vida tenham um sentido.
Cristo Ressuscitado está presente e muda, torna mais verdadeira esta nossa vida. O Batismo nos introduz nesse “outro mundo” e o dom da Fé é a capacidade de reconhecer neste mundo o “outro mundo”, a presença real de Cristo, mesmo sem vê-lo e tocá-lo.
As festas litúrgicas deste tempo
Na Páscoa (11.04), Cristo ressuscita e vence a Morte.
Na Ascensão (23.05), Cristo deixa de estar presente fisicamente entre nós e sobe aos céus, isto é, entra no âmago do mundo (cria o Mundo Novo).
Em Pentecostes (30.05), o Espírito de Cristo nos é doado para que possamos enxergar esse Mundo, olhar tudo com o mesmo olhar dEle e construir o Mundo com a Sua força. Seu espírito gera entre nós uma unidade profundíssima: nasce a Igreja, início do Mundo Novo, de um povo novo.
Na festa da Santíssima Trindade (06.06), somos convidados a participar do Mundo de Deus: entrar no amor que liga o Pai, o Filho e o Espírito Santo, amar como Deus ama.
Na festa do Corpo de Cristo (10.06), reconhecemos na Eucaristia o alimento da nossa caminhada; da Eucaristia brota a verdadeira unidade no mundo.
Nas festas dos Sagrados Corações de Jesus (18.06) e de Maria (19.06) nos é revelada a raiz do Mundo Novo: a profundidade infinita da Misericórdia do Pai.
Peçamos
Ao Sagrado Coração de Maria, na festa de nossa padroeira, que por meio de nós e de sua Igreja o Mundo Novo alcance a todos os homens e todos experimentem o amor de Cristo.